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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Reportagem sobre pico de Itatiaia

O dia seguinte começou a raiar por volta das 6h da manhã, mas nossos corpos só esquentaram duas horas depois, quando o sol superou uma montanha que o bloqueava e esquentou a barraca e o resto do camping. A noite havia sido muito úmida e comprovamos isso pelo sereno condensado em cima de nossa barraca. Senti a diferença ao acordar e ver aquela atmosfera limpa, sem poeira ou poluição, deixando o azul do céu mais profundo. 

Um breve café da manhã e partimos para alcançar a entrada do parque. Como esperávamos, obtivemos informações com os guias sobre o caminho até o Pico. Demoraríamos aproximadamente 3h para alcançar o cume, atravessando primeiro o caminho até o Abrigo Rebouças, cruzando um vale que separa as Agulhas Negras da Serra das Parteleiras (2º ponto mais alto do parque com 2548m) e finalmente subindo por caminhos íngremes de pedra até o cume.

É necessário estar equipado com material para escalada e possuir experiência na área, ou então torna-se fundamental acompanhar-se de um dos guias que o parque oferece (fortemente indicado para iniciantes e grupos grandes). Nós (apenas três pessoas) optamos pela primeira alternativa, mesmo que nenhum de nós já tivesse chegado aquele pico. Também não estaríamos sozinhos no caminho, pois em um feriado como aquele sobem, em média, dez diferentes grupos rumando para as Agulhas. 

O caminho de ida oferece belas visões panorâmicas do Parque Nacional do Itatiaia. Este nome (Itatiaia) significa, em Tupi-Guarani, “Pedra Cheia de Pontas” e realmente, ao observarmos de baixo o topo das Agulhas Negras, nos dá uma sensação de que esta é formada por diversas pontas. Sua formação é muito peculiar e as pedras são escuras. Não conheço nenhum outro lugar do Brasil que tenha as características daquelas pedras ou mesmo o tipo de vegetação, rasteira, muito verde e diversificada. 

Chegando-se a terceira parte da caminhada, já em contato direto com a pedra, pode-se escolher entre diferentes caminhos para se seguir. O mais conhecido, de mais fácil acesso, chama-se Via Normal e é por lá que os guias levam os grupos grandes e os iniciantes. A Via Útero (ou Estudantes) leva ao topo subindo-se uma grande fenda mais ao centro da pedra. 

A Via Portal (pelo lado direito da pedra) é a menos conhecida e requer um bom conhecimento em escalada para ser superada. Um pouco por desinformação e um pouco pela sugestão de um grupo paulista que subia próximo a nós, escolhemos a Via do Útero. Realmente, não diria que é um simples caminho até o topo. Tivemos que passar em pequenos espaços entre os pedregulhos e mesmo escalar (montando o equipamento necessário) carranqueiras e chaminés ao longo do caminho. Porém, nada que tirasse de nós o encanto a cada metro que subíamos e as Prateleiras (avistada como referência) caía abaixo da linha do horizonte. A certeza de que o cume se aproximava nos dava ânimo para vencer o próximo obstáculo. 

Chegamos ao topo com um pouco mais de tempo no cronômetro do que o previsto. Lá estavam os outros grupos (guiados ou não) que haviam conquistado pela Via Normal. Pegamos as informações de como poderíamos voltar por esta e aproveitamos o resto do tempo para curtir a energia que o ponto mais alto da região nos ofereceu com um amplo visual. 

De lá avista-se toda a cadeia de montanhas do Parque, além do Pico dos Três Estados (divisão entre RJ, SP e MG). Observamos também a cadeia de montanhas da Serra Negra, onde ingressaríamos no dia seguinte. A visão panorâmica pode nos oferecer uma idéia bem mais clara do caminho do que quando estamos dentro da mata, caminhando nas tortuosas trilhas da serra. 

Descobrimos com um experiente aventureiro (era a oitava vez que subia as Agulhas) que havia uma trilha até Maromba (vila da região de Visconde de Mauá onde acaba a Serra Negra) que começava dentro do Parque Nacional e atravessava pontos como a nascente do Rio Airuoca (rio com a nascente mais alta do Brasil) e a crista dos principais morros. Porém, esta, está proibida por causa da degradação causada pelos constantes aventureiros que a utilizavam. 

Há alguns anos, o IBAMA fiscaliza de forma bem intensa as práticas ilegais no Parque, como o camping em áreas proibidas, as fogueiras, a caça e o extrativismo. Também adotou uma política de multas aos infratores, além da cobrança de uma taxa para visitar o parque. Embora as medidas limitem ainda mais o acesso das pessoas as maravilhas naturais do local, foram medidas bem-sucedidas para diminuir o forte processo de degradação que sofria o Parque, como a grande queimada de 2001, provocada por visitantes.

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